A alma a meu socorro






Minha alma nunca havia dado sinais
De que precisasse me falar algo.
Ela vivia tão quietinha e me deixava agir sozinha.
Eu comemorava, eu chorona e até sorria,
E ela lá, nada dizia.
Mas hoje eu senti algo diferente dentro de mim.
Parei. Indaguei-me!
Fechei os olhos e não quis pensar em nada.
Não, eu precisava saber de onde vinha aquele lamento.
Era algo tão silencioso e falava tão dentro de mim!
Fiquei assustada, nada até então
 Assustara-me tanto.
Como e por que eu sentia aquilo?
De repente ecoa uma voz que dizia:
Pare, você está alem limite!
Não vês que estais a lutar contra você?
Você e esse seu coração?
Quantos sentimentos desperdiçados!
E os assuntos mal resolvidos?
Pensa você que conseguirá se enganar
Por quanto mais tempo?
Sinto quando você pensa e diz;
Ah, amanhã será sempre um novo dia.
Aguardo sempre o novo dia,
Na esperança de que você resolva o problema.
Mas não, você ergue a cabeça na manhã seguinte,
Joga o problema debaixo do tapete e sai.
Tapete?
Não existe tapete algum, você os joga para mim!
A montanha vai acumulando e não
Consigo mais segura-los!
Reaja, faça alguma coisa, comece agora!
Ajuste-se. Ajude-me. Ajude-se!
Mais parece um leoa ferida!
Ama tanto e com tanta intensidade!
Magoa-se tanto e com tanta facilidade!
E essa sensibilidade que faz a pele arder?
Esse coração descompassado,
Não se sabe mais o ritmo que ele bate!
Isso está minando sua luz,
Minhas forças estão por um triz.
Sou agora uma alma infeliz.
Ela para.Agora, silencio total.
Aquele silencio mortal.
Silencio que não diz nada e que diz tudo.
Fui escorregando devagar,
Até ao chão chegar.
E chorei.
Gritei com meu coração.
Busquei em vão a razão.
Constatei que até então eu não pensara em mim.
Não cuidara da minha paz interior.
Minha alma tinha razão.
Sou só um cristal movido pela emoção.
Deixei tantas dores escondidas.
Sorri tanto por sobre elas.
Minha alma parecia me acarinhar.
Como a uma mãe que fizera seu filho do perigo acordar.
E fez.
Acordei de um longo sono.
Abri os olhos, levantei-me, fui ao espelho.
Olhei-me e pela primeira vez eu vi aquelas marcas
Sim, aquelas que a vida deixa.
Minha alma me socorrera enquanto eu dormia.
E comecei a resolver o primeiro problema.
Levantei o imaginário tapete e pensei;
Começarei por cuidar de mim.
Respirei, relaxei e me encontrei.
 Para Um novo dia caminhei.

Fanete Costa

                                                            


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